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Paróquia Ressurreição do Senhor

sábado, 27 de julho de 2013

As mãos dos avós

Por Lúcia Vaz de Campos Moreira
26 de julho de 2013


Nascemos, vivemos nossa infância e adolescência, a vida adulta com todas as suas responsabilidades e correrias e, quando menos esperamos, envelhecemos.
Qual fase da vida terá sido a mais importante? Costumo dizer que cada uma delas tem a sua beleza.
Se observarmos pequenas partes do nosso corpo, como as mãos, já podemos constatar isso: as mãos de uma criança são tão macias, tão curiosas, tudo pegam, tudo querem alcançar; já as mãos dos adultos são grandes, fortes, ágeis, fazem tanto em tão pouco tempo! Por fim, as mãos dos idosos são mais frágeis, mais cansadas, podem derrubar uma coisa aqui, outra acolá, costumam ter rugas por causa de toda uma vida vivida e manchas por tanto Sol tomado, ou mesmo calos por conta do trabalho ou da lida do dia-a-dia com os filhos, com a casa, com tantos outros afazeres. Algumas delas chegam mesmo a estarem deformadas pela artrite ou artrose.
Então, podemos nos perguntar: qual dessas mãos é a mais bela? Todas são igualmente belas, no entanto, aquelas enrugadinhas têm mais história: quantas vezes afagaram ou rezaram, quantas vezes seguraram, carregaram, escreveram coisas úteis para a história pessoal ou de um povo? Quantas experiências essas mãos idosas já tiveram!!! Mas, sem dúvida, um dos acontecimentos mais importantes foi o encontro dessa mão idosa com aquela de uma criança muito especial: seu/sua neto(a).
O encontro das mãos dos avós com as dos netos é tão importante que chega a rejuvenescê-las: aquelas mãos cansadas ficam tão animadas que agora voltam a brincar com as bonecas e carrinhos, a folhear os livros de historinhas infantis, a fazer tortas e bolos gostosos e a dar muitos presentinhos só para alegrar os netos.
Essas mãos idosas muitas vezes só querem afagar e agradar os netinhos, mas quando faltam as mãos dos pais em algum momento do cuidado dessas crianças, é comum que as mãos dos avós também segurem as mãos dos netos conduzindo-os para a escola, que elas ensinem a desenhar as letras ou mesmo a lavar as mãos e o corpo todo dos pequeninos. Nesses casos, também é necessário que as mãos idosas sinalizem quando é importante parar ou mesmo que seus dedos apontem para um bom caminho e façam sinal de não para o que prejudica a vida do neto ou a das outras pessoas.
Desculpem se o que eu vou falar agora não lhes agrada, mas essas mãos idosas nem sempre são tão sábias. Por vezes ficam ocupadas com o controle da televisão ou com sacolas das compras, mas não juntam suas mãos às mãozinhas de seus netos para ensiná-los um “Pai-nosso”, uma “Ave-Maria” ou a mandar um beijo a Nossa Senhora.
E quantas vezes os netos podem observar as mãos dos avós segurando firmemente o terço e pedindo a Nossa Senhora a paz nas famílias, na nossa cidade tão violenta e no nosso planeta tão egoísta?    
Além disso, se observarmos a Igreja tão vazia de mãos jovens, não será por causa das mãos cruzadas dos pais e avós que não pegam essas mãos jovens e as conduzem para a missa?
Quando mais mãos de pais e avós forem como as de João Batista, que apontam para Cristo como Aquele que dá sentido à vida e responde aos desejos mais profundos do ser humano, como os de felicidade, justiça e beleza, com certeza teremos menos mãos jovens manuseando drogas, violentando pessoas em casa e nas ruas das cidades, pegando em armas e matando aos outros e a eles mesmos.
Assim, vamos aprender com as mãos simples do nosso Papa Francisco que abençoa os jovens e todo o povo brasileiro e nos ensina a acolher as crianças, os jovens, os idosos e todos os que precisam.
Finalmente, desejo que todos os que aqui estão, sejam avós ou não, acolham e levem ao mundo o grande tesouro de suas vidas: não o ouro ou a prata, mas o próprio Cristo que nos segura pelas mãos.

Lúcia é Doutora em Psicologia pela USP e professora do Programa de Pós-graduação em Família na Sociedade Contemporânea da Universidade Católica do Salvador.



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